
O Modelo Padrão tem um enorme poder explicativo. Toda a nossa ciência e a nossa tecnologia foram criadas a partir dele. Mas os cientistas sabem de suas deficiências. Essa teoria cobre apenas o que chamamos de "matéria ordinária", essa matéria da qual somos feitos e que pode ser detectada por nossos sentidos.
Mas, se essa teoria não explica porque temos massa, fica claro que o Modelo Padrão consegue dar boas respostas sobre como "a coisa funciona", mas ainda se cala quando a pergunta é "o que é a coisa". O Modelo Padrão também não explica a gravidade. E não pretende dar conta dos restantes 95% do nosso universo, presumivelmente preenchidos por outras duas "coisas" que não sabemos o que são: a energia escura e a matéria escura.
É por isso que se coloca tanta fé na Partícula de Deus. Ela poderia explicar a massa de todas as demais partículas. O próprio Bóson de Higgs seria algo como um campo de energia uniforme. Ao contrário da gravidade, que é mais forte onde há mais massa, esse campo energético de Higgs seria constante. Desta forma, ele poderia ser a fonte não apenas da massa da matéria ordinária, mas a fonte da própria energia escura.
Em dois ou três anos saberemos se a teoria está correta ou não. Ou, talvez, nos depararemos com um mundo todo novo, que exigirá novas teorias, novos equipamentos e novas descobertas.
LHC at Home
Por isto, os físicos resolveram utilizar um mecanismo criado para a busca de inteligência extraterrestre e agora já adotada para desvendar o segredo das proteinas e até para localizar particulas de cometas, entre várias outras iniciativas do mesmo tipo.Acaba de ser lançado o LHC at Home, um programa que funciona como um protetor de tela e que, em vez de deixar seu computador ocioso quando você não o está utilizando, faz uma simulação de uma partícula subatômica viajando ao longo de um anel acelerador de partículas de 27 quilômetros de perímetro.
Acelerador de partículas virtual
O programa que roda por trás do LHC@Home é chamado SixTrack, que não apenas simula a trajetória da partícula, mas também estuda a estabilidade de sua órbita, gerando informações essenciais para a verificação da estabilidade de longo prazo das partículas de alta energia que viajarão de fato no LHC.
O SixTrack simula 60 partículas simultaneamente e roda a simulação para até 1 milhão de voltas ao redor do acelerador de partículas virtual. Pode parecer muito, mas isso leva menos de 10 segundos em um PC padrão.
Riscos sérios
"É suficiente testar se o feixe [de partículas] permanece em uma órbita estável por um longo período, ou [se há] o risco de que ele perca o controle e saia do curso em direção às paredes do tubo de vácuo. Uma instabilidade destas pode ser um problema muito sério, que pode resultar na parada do equipamento para reparos, se isso acontecer na vida real," diz o site do projeto.
Veja o site.
